sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Quanto custa um projeto?

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QUANTO CUSTA UM PROJETO



Se você pretende construir, prepare-se para enfrentar algumas dúvidas que surgirão relativamente aos preços dos projetos. Sim, porque são vários os projetos que uma obra requer e o primeiro deles, o Projeto Arquitetônico, é o básico, pois ele define todos os outros partindo do nada.
Quando o projeto arquitetônico é bem pensado, deve, além de atender as necessidades do cliente, deixar clara e bem definida toda a parte estrutural da obra. O tipo de estrutura a ser adotada, se metálica, de concreto armado ou mista, deverá ser escolhido de comum acordo com o proprietário, necessitando pois que o arquiteto explique as vantagens e desvantagens de cada uma. Uma vez definido o sistema estrutural, o arquiteto deverá indicar nas plantas e cortes do seu projeto o  posicionamento dos pilares e vigas, de tal forma que esses elementos não venham alterar o resultado arquitetônico por ele imaginado, o que fatalmente acontecerá se esse trabalho ficar a cargo de outro profissional.
No projeto arquitetônico bem detalhado, o arquiteto deve indicar em suas plantas todos os pontos de água e esgoto, desenhando as peças dos sanitários, cozinha e lavanderia, como também, fornecer uma planta com a posição dos pontos elétricos (entrada de luz, locais do medidor e quadro dos circuitos, pontos de luz, tomadas, interruptores, telefones, posição dos aparelhos de ar condicionado), a fim de que, em cima dessas informações, os profissionais de cada área possam fazer seus trabalhos, ou seja, os cálculos da estrutura e das instalações hidráulicas e elétricas.
Outro item de suma importância relativo ao projeto arquitetônico é a especificação dos materiais de acabamento que vão compor a decoração fixa da obra. É um direito do proprietário participar na escolha desses materiais, naturalmente sob a orientação do arquiteto que apresentará opções, para que juntos decidam o que será usado. Não adianta o arquiteto especificar um piso de granito, quando as finanças do dono da obra não permitem mais que um piso de cerâmica.
O custo de um projeto é pois a soma dos custos de vários projetos. E quanto custa cada um deles? O Projeto Arquitetônico tem seu preço definido por uma Tabela de Honorários do Instituto de Arquitetos do Brasil - IAB, que apresenta duas opções para o cálculo: Reais x m2 ou Percentual sobre o custo da obra. Sem a menor dúvida, a primeira opção é bem mais prática, bastando multiplicar a área da construção pelo valor em R$ indicado na tabela.
O Projeto Estrutural exige um trabalho maior para ter seu custo calculado. O  calculista, ao receber um jogo de cópias do projeto arquitetônico, deve apresentar ao dono da obra duas informações: o valor em R$ do seu trabalho e o volume de concreto ou o peso da estrutura metálica que pretende calcular. Por quê isso? Porque o melhor projeto estrutural é aquele que, dentro da segurança e respeitando as normas da ABNT, soluciona uma determinada estrutura com a menor quantidade de material. Isso obrigará o calculista a fazer um estudo preliminar a fim de definir esse quantitativo. Tal procedimento permitirá ao dono da obra escolher a melhor proposta que, nem sempre, é a que apresenta o valor em R$ mais baixo, pois o custo final da construção será diretamente proporcional ao material que ela consumirá.
Os Projetos de Instalações, geralmente, têm seus preços calculados multiplicando-se o número de pontos de água ou elétricos por um valor em R$, constante em tabela específica.
A grande vantagem do projeto arquitetônico apresentar a solução estrutural, bem como as indicações necessárias aos cálculos dos projetos de instalações, é permitir ao dono da obra fazer uma pesquisa de preços para a construção, ou seja, uma concorrência entre várias Construtoras que apresentarão suas propostas fundamentadas num mesmo plano básico, já aprovado pelo proprietário e pela Prefeitura Municipal, o que resultará em economia de tempo e dinheiro para todas as pessoas envolvidas.
Cabe aqui uma observação importante: sempre que as entidades ligadas à arquitetura, engenharia ou outros serviços afins possuírem tabelas para determinar custo de projetos, estas devem ser respeitadas, pois isso dará tranqüilidade ao contratado e confiança ao contratante.

Antonio Luiz D. de Araujo
                       


ÉTICA

                
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                                              ÉTICA

O que é? O que significa ser ético? Muitas palavras podem ser usadas para explicá-lo, pois vasta é sua abrangência.

 Todos nós devemos ter ética, viver com ética.

 Em princípio, podemos dizer que são normas que buscam o bem em todas as áreas, começando pela própria vida: vivamos com ética.
Ser ético é, pois ser justo, ser sincero, ser verdadeiro, ser honesto consigo mesmo e com os outros, ser fiel, ter um coração puro.
 Agir com ética é procurar ser feliz sem atropelar ninguém;  ser ético é ter a alma limpa, acreditar no que diz, ser um livro aberto, ser bonito por fora e por dentro e não aceitar nenhum tipo de discriminação.

 A ética não admite nada que fuja aos princípios da moral e, por ser tão abrangente, cada segmento da sociedade tem seu Código de Ética, embora os princípios sejam os mesmos.
Temos assim a ética profissional, a ética do estudante, a ética da própria vida, que são as leis que regem o Universo as quais devemos respeitar. Para ser ético, é preciso ter amor no coração.

Quando o "modus vivendi" do homem, neste Planeta Azul criado por Deus for 100% regido segundo os princípios da ética, teremos para nosso bem a maior dádiva do Senhor: aqui será o Paraíso Menor, o paraíso do homem; e a Casa do Pai, o Paraíso Maior, será sua continuação. Quando isso acontecer, a oração que o Altíssimo nos ensinou poderá ser reduzida ficando apenas:

PAI NOSSO, QUE ESTAIS NO CÉU,
       SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME,
DESTES-NOS O VOSSO REINO,
       PORQUE FIZEMOS A VOSSA VONTADE,
GLÓRIA A VÓS, PARA SEMPRE,
       AMÉM.
                                                                                   A. L. 9/1/01

Muros


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MUROS

                                                                                                                                
Será que nossa próxima geração ao caminhar pelas Avenidas da Cidade poderá ter a visão de suas Praças, dos jardins que abraçam alguns prédios públicos, dos canteiros que embelezam as áreas externas das casas? Esta é uma pergunta cuja resposta tem me preocupado; como serão as nossas ruas daqui a trinta anos?

Façamos um retrocesso no tempo e lembremo-nos de como eram esses lugares na década de 70. Quando iniciei minhas atividades aqui em Teresina, em 1968, contava sempre com a mãe Natureza para valorizar meus projetos, pois os jardins, além de amenizarem nosso clima, são sempre uma festa para os olhos. A partir dos anos 80, o "progresso" da cidade trouxe de contrapeso o aumento da malandragem, da gatunice e as pessoas desandaram a levantar barricadas urbanas chamadas muros, para se defenderem contra o que,  em pouco tempo,  passou a se chamar violência. Será que estas defesas realmente defendem? Nunca acreditei nelas, pois o ladrão ao pular uma parede de dois metros, coisa que qualquer um faz com a maior facilidade, cai num terreno à prova de olhares externos, onde se sente mais seguro, pois sabe que naquele espaço protegido por muros, ele só tem um inimigo pela frente que é o proprietário; então, se houver refém no assalto, a proteção para o assaltante não poderia ser melhor!

 Infelizmente o modismo pegou como pegaram também outras modas, tais como o plantio desvairado da Palmeira Imperial e agora, mais recente, surge o Ficus que em breve será o responsável pelo fim de nossas calçadas.

Mas voltando ao assunto das barreiras visuais, como se já não bastassem as ruas dos bairros residenciais terem se transformado em verdadeiros corredores murados, sem nenhum atrativo, desumanizando a comunidade, vem agora a Cepisa tentar estender o mesmo procedimento ao setor público. No projeto original de sua Sede, havia uma mureta com um metro de altura cercando o terreno, deixando visível toda a área verde em volta do prédio; posteriormente resolveram colocar uma grade sobre a mureta, solução que dá uma proteção razoável sem criar barreira visual, mas agora, pasmem os senhores , resolveram dar início à construção da famigerada barricada! Provavelmente a moda no novo setor logo terá seguidores e dentro em breve estaremos assistindo a mesma solução sendo adotada para "proteger" a Assembléia Legislativa, a Sede da Agespisa, o Centro de Convenções, o Palácio da Justiça e outros mais. Tentem visualizar o Palácio de Karnak com um muro substituindo as grades que circundam seus jardins!

Quando essa segunda etapa de muramento for concluída, não pensem os caros leitores que os obcecados construtores de paredes se darão por satisfeitos: partirão imediatamente para a terceira fase do plano de "defesa" e murarão o que resta, nossas Praças. Talvez até aproveitem as grades já existentes para servirem de estrutura interna de suas paredes.

Com tantas inovações permitidas pela Prefeitura, caberá então a esta encontrar uma nova definição para a palavra Cidade, e a título de colaboração deixo minha sugestão: Cidade é o labirinto formado por corredores murados com barreiras que variam entre dois e três metros de altura, por onde circulam carros blindados, assaltantes e assaltados.


                                           Antonio Luiz
                Teresina, 31 / 3 / 2000



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

ARQUITETURA


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ARQUITETURA

Como a vejo?

Para mim, Arquitetura é a ciência que procura criar espaços racionais sustentados por estruturas lógicas, transparentes e bem definidas.

Sendo assim, arquitetura e estrutura não deveriam jamais ser pensadas por cabeças diferentes; o arquiteto, ao criar seus espaços, tem que estar simultaneamente imaginando como será sua sustentação.

O arquiteto não é obrigado a dimensionar essa estrutura, encargo geralmente confiado ao calculista, porém, a escolha do tipo, a locação dos pilares e um pré-dimensionamento cabem ao arquiteto que, para tal, deve ter uma boa noção sobre o assunto.

Uma vez definidos os espaços e o sistema estrutural responsáveis pela parte artística da volumetria, segue-se outra etapa, também artística, a que cuida da escolha dos materiais que farão o revestimento da obra. Aqui o campo apresenta uma variedade enorme de opções e é preciso que haja muito bom senso por parte do profissional, para que não venha a cometer excessos. Muitos tipos de materiais e muitas cores podem gerar uma poluição visual capaz de prejudicar todo o conjunto.

A obra possui dois tipos de decoração, a fixa e a móvel ou descartável. A primeira é a que trata da escolha dos materiais de acabamento que comporão o projeto arquitetônico. Estes deverão atuar enquanto a obra existir, sem causar cansaço a seu dono ou demais pessoas, daí a imperiosa necessidade de não serem agressivos; aqui, sobriedade deveria ser a palavra de ordem. Já a decoração móvel, também chamada de ambientação, envolve a participação de outro artista, o decorador, que escolherá o mobiliário, os tapetes, quadros e demais ornamentos que enfeitarão as paredes, compondo os ambientes dos espaços, trabalho que alguns arquitetos também gostam de fazer.

Nesta nova etapa a liberdade do profissional é maior, de menor responsabilidade, pois se determinado elemento não ficar bom troca-se por outro, sem maiores prejuízos. O ideal, na minha opinião, é que estes dois tipos de decoração sejam independentes. O arquiteto deve facilitar o trabalho do decorador, cabendo a este respeitar o que aquele planejou, ou seja, a decoração fixa da obra deve ser intocável, pois ela faz parte integrante do conjunto imaginado por seu autor que conta para sua defesa com a Lei do Direito Autoral. O arquiteto pode facilitar o trabalho do decorador deixando livre seu campo de atuação mandando pintar de branco todas as paredes e tetos, dando assim liberdade ao novo profissional para introduzir as cores que desejar através das cortinas, estofados, mobiliário, tapetes e demais ornamentos. A pintura branca, por ser neutra, não interferirá no trabalho do decorador e caso este deseje colorir algumas delas, o branco já servirá de base.

Como vemos, em todas as fases da nossa construção falamos em arte. Por isso podemos afirmar que: arquitetura é a concretização de uma manifestação artística que tem início na imaginação do arquiteto, possibilidade na capacidade do calculista, podendo tornar-se realidade pelas mãos caprichosas de seus executores para, finalmente, ser decorada pelo último artista.

Se todos trabalharem com amor, dedicação e entusiasmo, o resultado será uma obra de arte, cujo nome é ARQUITETURA.

                              Antonio Luiz Dutra de Araujo
                                             Arquiteto

FAZENDO UM BLOG

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FAZENDO UM BLOG


Além do que faço como arquiteto, gosto e adotei como hobby, gravar através da escrita, as coisas boas e ruins do nosso dia a dia, como se fosse um diário, porém, sem muita riqueza de detalhes, pois cada tema tem que ficar contido numa única página.
Escrevo sobre fatos importantes, sobre assuntos ligados à minha profissão, sobre erros e acertos de quem detém o poder, sendo meu objetivo deixar narrado para os netos e suas descendências, hábitos, problemas e modismos de nossa época.
A esses comentários numerados que venho fazendo denominei de PÁGINAS SOLTAS, sendo que a de número 1 foi escrita em 6/11/2001 e a próxima receberá o número 524.
Agora, com a finalidade de ocupar meu tempo, que anda um tanto quanto ocioso, resolvi criar um blog no qual pretendo contar a história do nosso escritório de arquitetura, a MALOCA, sendo que nesse meio de comunicação tratarei, preferencialmente, de assuntos ligados à arquitetura. Páginas serão pinçadas dessa minha coleção, sendo que cada uma virá com seu número de origem. Assim sendo, os números que vão aparecer no alto de cada Página, no canto direito, indicam a posição das mesmas no conjunto preexistente, que foram escritas seguindo ordem cronológica.
Além das Páginas Soltas poderão aparecer alguns desenhos, talvez algum projeto, uma ou outra notícia, os leitores poderão fazer comentários, críticas positivas ou negativas poderão ser feitas, afinal estamos numa democracia; enfim, estou abrindo as portas da nossa Maloca para um bom relacionamento e só mesmo o tempo dará resposta à pergunta que ora me faço:

Será que vai dar certo?


                                                 Teresina, 24 de novembro de 2011.
                                                     Antonio Luiz Dutra de Araujo.
                                                                                   Arquiteto