segunda-feira, 30 de julho de 2012


                                                                                                                           338
HISTÓRICO


Mudamo-nos para Teresina no dia 18 de abril de 1968; minha esposa, um filho, duas filhas, a sogra e eu, embora, desde 1964 eu já andasse por estas plagas como arquiteto do Banco Nacional de Minas Gerais S.A., o Banco do Guarda-chuva de Magalhães Pinto, época em que vim fazer o levantamento do prédio onde funcionava as Lojas  Rianil de propriedade do senhor Aragão, adquirido pelo Banco que o transformaria em sua primeira agência nesta Capital.
Após a conclusão do projeto retornei a esta cidade com o objetivo de contratar quem o executasse; foi quando fiquei conhecendo o engenheiro Lourival Sales Parente a quem confiei a tarefa, surgindo daí uma grande amizade e tanto ele insistiu no convite para que eu trocasse a minha Cidade Maravilhosa pela sua Cidade Verde que acabei cedendo, após a concordância de minha mulher, naturalmente.
A Maloca foi fundada no Rio de Janeiro, no dia 15 de janeiro de 1965, quando deixei o Banco (dados mais completos no Google: Antonio Luiz Dutra de Araujo – Pesquisa).
Nosso escritório sempre atuou em qualquer área da arquitetura e a relação completa dos trabalhos realizados durante esses quarenta e três anos, mais os executados nos quatro anos que trabalhei como arquiteto do Banco, acham-se gravados num CD.
Quando o arquiteto Marcio de Miranda Lustosa e eu resolvemos criar nosso escritório cuja razão social ficou sendo Maloca Arquitetura e Decoração Ltda., pensamos em escolher um nome relacionado com construção de moradia e a palavra escolhida foi OCA, casa indígena, provavelmente a primeira forma de abrigo construída no Brasil, que ao ser  reproduzida várias vezes, já que nosso pensamento era crescer, resultaria numa MALOCA.
Nosso logotipo é formado por duas OCAS encostadas estilizando o M de Maloca e as letras da razão social são letras desenhadas seguindo as mesmas linhas do logotipo.
Inicialmente nosso escritório funcionou no sétimo andar do Ed. Avenida Central, localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na Av. Rio Branco 156, sala 707.
Ao me mudar para Teresina, após comprar a parte de meu sócio, hoje nosso padrinho de casamento, decidi que faria aqui uma filial da Maloca e já que ia ser construída numa imensa área verde, porque não fazer algo coerente com o nome da firma? Daí a sua forma: os tijolos assentados formando juntas retas verticais representam os paus-a-pique que, unidos, formam as paredes da oca e como cobertura foi usada a palha de carnaúba.
Posteriormente, encerrando as atividades no Rio de Janeiro, passei a filial teresinense para Sede da Empresa.
Hoje, a Casa do Índio já não tem a presença marcante que tinha antes de ser engolida pelas Casas dos Brancos!
Nestes últimos dez anos o mercado imobiliário em Teresina deu um salto para o alto, talvez inspirado por outras Capitais, embora eu ache que ainda poderíamos viver por um bom tempo em nossas casas, em linguagem indígena eu diria, em nossas Malocas.
Acredito que o aumento da violência tenha sido o grande responsável por essa fuga para as alturas, embora eu tenha minhas dúvidas quanto à futura segurança nesses Edifícios,  haja vista, os constantes assaltos que vem ocorrendo em prédios de alto luxo construídos no Morumbi, bairro nobre da Cidade de São Paulo, onde os bandidos vêm fazendo arrastões começando de cima para baixo.
Se compararmos o ritmo acelerado da construção civil existente em algumas cidades brasileiras de grande porte com o ritmo de Teresina, acho até que aqui a marcha tem sido bem mais lenta.  

                                                                    Teresina, 10 de maio de 2008.
                                                                    Antonio Luiz Dutra de Araujo
                                                                                    Arquiteto

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